2001 / Odisséia Espacial, a tradução brasileira é isso mesmo, nada de uma odisséia no espaço ou coisa parecida, e tem uma barra separando o ano do resto do título, viveu esse momento importante nestes primeiríssimos dias de 2008, o encontro com O Suicida e o Computador, do Veríssimo. O filho, que o pai teve, em vida, mais capricho com o acervo. São duas edições de bolso, por isso acabaram dividindo capa e contrapaca na estante. Pois este blog é isso mesmo, comentários, críticas e ensaios sobre os livros nas prateleiras logo atrás do teclado.
O computador é o personagem de referência nos dois. No primeiro é o HAL, que tenta matar toda a tripulação da nave Discovery em sua viagem às luas de Saturno. Um programa psicótico. “Muito bem, Dave. Está tudo bem. Não se levante e não faça movimentos bruscos. Não tente falar”, diz Hal ao despertar da hibernação o astronauta que ele pretende deletar na seqüência. No segundo, o conto que dá nome ao livro, a máquina é a salvação do único personagem, um suicida com dotes literários que não consegue se matar por reescrever de forma sistemática seu bilhete de despedida. “Tese: é impossível escrever uma nota suicida em um computador”, pensa, antes de tirar a corda do pescoço e voltar para a cama.
Nada como a política da boa vizinhança.