A poesia marginal detesta ser chamada de poesia marginal e, bem umas décadas depois da Navilouca e coisa e tal, eu também, que já quis ser poeta marginal, ia empelotar em ser enquadrado em movimento de época, tipo novela das seis. É chique ser concreta, é engraçado ser moderna e se você é neo-parnasiano, tudo bem, não é contagioso. Mas marginal mal garante uma universitária, duas oficinas de produção literária, três porres comemorativos e outra surra do Raduan. Que eu até peguei o Comício de Tudo e conferi, revirei o Tontas Coisas, mas, ainda assim, pouca alegria tive. Me senti foi velho e isso é mais comprido e complicado de explicar.
Já os clássicos gostam, embora com algum desdém, de ser chamados de clássicos. Lavoura Arcaica é isso. O Raduan ficou tão clássico que até foi criar galinha depois e me deu uma capa do Cultura só por ter atendido o telefone numa tentativa frustrada de entrevista. Mas, escrito na mesma época em que os poetas marginais infestavam Copacabana, permanece maravilhoso.