Distraídos Venceremos é o livro que eu mais perdi na vida. Uns quatro ou cinco pelo menos, contando o último, que não consegui achar na estante. Por isso fui atrás do La vie en close e lá estava ele, capa a capa com a Era do Capital (1848-1875). É sorte do Leminski, que veio com tudo contra o mais árido do Hobsbawn.
O poeta vê a história:
A honra, a terra e o sangue mandou muita gente para aquele lugar. Tinha coisas que tem que morrer, tinha coisas que tem que matar. Que mais podia um velho fazer, nos idos de 1916, a não ser pegar pneumonia, deixar tudo para os filhos e virar fotografia? Ninguém vivia para sempre. Afinal, a vida é um upa. Não deu pra ir mais além. Mas ninguém tem culpa. Quem mandou não ser devoto de Santo Inácio de Acapulco, Menino Jesus de Praga?
O historiador vê a poesia:
Esse processo, por seu turno, ocasionou a “arte pela arte” ou as preocupações com as formalidades da linguagem, estilo e técnicas. Quando uma nova de arte visionária surgiu no meio da geração que havia vivido a infância em 1848 ou mesmo não era ainda nascida – Arthur Rimbaud escreveu sua obra principal em 1871-1873 -, ela seria esotérica, irracionalista e apolítica. Com o colapso do sonho de 1848 as artes ocidentais burguesas, a começar pela pintura e pela poesia, bifurcam-se nas que se voltavam para o público de massa e nas que eram dirigidas apenas a uma minoria bem definida.
[...] sumiu. Sumiu umas três ou quatro vezes na minha vida, é o livro que mais perdi, já falei sobre isso. Então, três dias depois do início da caçada, baixei na internet um pirata do distraídos, só [...]