Eu gosto bastante de livro ruim, quem acompanha o blog sabe que volta e meia um ou outro nos encanta com seus enredos mirabolantes e pérolas literárias. Acho que alguns dos melhores livros da minha vida são ruins. Agora, chato é outra coisa.
Há meses tento terminar de ler uma obra insuportável, Criatividade e Grupos Criativos, do sociólogo italiano Domenico di Masi. São dois volumes, grossos, comprados por R$ 10 cada, naquela liquidação de sábado no passeio da Ouvidor da Savassi. A capa não era feia e, o tema, instigante. Devia ter levado o de receitas alemãs e aquele bem colorido sobre os Vikings, o preço era o mesmo. Miquei com o do Domenico e não tenho coragem de abandonar um texto pela metade. Mesmo muito antipático. Ele reescreve a história do mundo encaixando os conceitos de coletividade criativa. Assim, de repente, todos os eventos importantes da humanidade, desde que descemos das árvores, tiveram origem em equipes criativas. É uma mistura pouco sutil da soberba acadêmica com o messianismo da auto-ajuda empresarial. O autor faz palestra, aqui em BH, sobre inovação, fiquei sabendo hoje. Boa sorte aos espectadores. Talvez, enquanto sociólogo, ele seja um ótimo entertainer.

Nunca li o Domenico, já tive curiosidade, mas agora acho que desanimei. Antigamente, eu tinha isso de não abandonar um livro pela metade. Faz tempo que largo sem dó. Agora, vou dizer o que talvez seja uma heresia: achei chatos, veja só, “On the Road”, do Kerouac (e eu amo outras coisas do cara), e “Trópico de… (Câncer ou Capricórnio?, não lembro)”, do Henry Miller. E quando li ambos era bem mais jovem e ainda queria ser como os dois. E larguei os dois livros antes de acabar.
velho, tb nao gostei do “Trópico de …”. Me achei uma idiota por nao gostar de Henry Miller, mas agora me sinto reconfortada!