Depois de ler as obras completas de José de Alencar meus pais resolveram me por na terapia. Eu devia ter uns 11 anos. Hoje, quando falamos sobre o assunto, minha mãe elogia a clínica, meu pai faz cara de flashback e suspira. Não deve ter sido fácil. Leitura é vista como algo positivo e, logo, ler muito é muito positivo. Ler compulsivamente seria tipo excelente. Não é. Não aprendi a jogar bola, tomei recuperação em matemática, engordei. Precisei usar óculos. Ler me tornou um menino esquisito e não tenho nenhuma saudade desses tempos. Fico feliz de ter recebido ajuda profissional, embora não entendesse muito bem, na época, qual seria o problema. Afinal, só ouvia elogios ao precioso hábito e a propaganda era inequívoca: ler é a maior viagem. No caso, uma bad trip aos 11 anos. Na terapia, em grupo, brincávamos, que é obviamente o que eu deveria estar fazendo, naquela idade, em vez de me aprofundar no romantismo nacionalista de José de Alencar (nunca mais reli, se minha memória funciona meu top three é: As Minas de Prata, O Guarani e o pervertido A pata da Gazela). Melhorei com o tempo e sessões três vezes por semana.

Na estante faz um ano
Há exato um ano comecei esse blog e, às vezes, fico com medo de estar inventando uma história, para mim mesmo, em que os livros são personagens heróicos. Tipo legitimando o discurso do lêr é espetacular, o mesmo discurso que impediu as pessoas à minha volta de reconhecer um menino doente quando toparam com um. Achei bom ter me lembrado disso. Mas, isso também me parece claro, não teria chegado até aqui se a literatura não me trouxesse mais do que leva.
Parabéns para o “Na estante”, que ele merece! Acompanho com deleite e muitas vezes tenho vontade de comentar, mas não ouso. Adoro o texto que me faz pensar e adiar comentários desnecessários.
Acho que, entre outras coisas, a literatura contribuiu para você escrever tão bem, com tanto estilo e ironia. E também para estreitar nossa amizade em livros como Subterrâneos, Pergunte ao Pó e Distraídos Venceremos. Sou grato a ela e a você, que compartilha assim sua querida conosco, neste blog.
Parabéns pelo primeiro aniversário!
E ler José de Alencar não deve fazer bem mesmo. O início da minha bad trip foi lá pelos 16 anos, e naquela época li “Lucíola”. Pelo que lembro, era tão dark quanto o Bauhaus que eu ouvia compulsivamente.
Opa,
Bom conhecer seu blog. Andarei por aqui a partir de agora!
Sobre a JPGMag, eu não sei muito bem se são profissionais ou se os pós-amadores / semi-profissionais hoje estão muito, muito bons. Talvez torça para que sejam profissionais mesmo, porque aí a coisa fica menos assustadora…
E parabéns pelo primeiro aniversário do seu blog. Cuide bem dele que isso acaba virando uma boa diversão.
Abraços.