Depois da série de eventos que culminou com o ex-presidiário redimido me forçando a comprar um sebento exemplar, reli o Conde de Monte Cristo. Esperava compartilhar revelações surpreendentes, mas a verdade é que mal consegui acompanhar o enredo, quanto mais decifrar as leis do universo. O começo é arrebatador. “E agora, o que fará o injustiçado Edmundo com um tesouro nas mãos e o coração sedento por vingança”, nos perguntamos, ao final do XI capítulo. Ele responde: “E agora, que já recompensei os bons, peço ao Deus vingador que me ceda o lugar para castigar os maus.” Muito bom, né? Só que aí fica impossível de acompanhar. Os personagens dos primeiros capítulos mudam de nome para escapar da Justiça, ganham títulos de nobreza, casam-se e as novas famílias fazem parte da trama, com filhos, sobrinhos e cunhados desempenhando papéis cruciais. Edmundo vira o conde, mas tem duas outras identidades secretas, além de asseclas, secretários e apêndices. Um inferno. Lá pelas tantas, já não entedia nada. Emburrei tanto que decidi nem escrever mais sobre o livro. Mas não é que essa semana li uma matéria sobre o lançamento de uma nova tradução, recuperando o original? Ficou com 1300 páginas, o meu não tem nem 300, é fácil imaginar o que foi perdido na tentativa canhestra de resumir o livro. “Corrigiu as contradições e ajustou passagens consideradas confusas”, diz a reportagem. E mais, li no Correio Braziliense, que chega lá na redação e achei que era tipo uma segunda ordem divina de leitura, pois quantos moradores de BH têm o hábito(ou a oportunidade) de lêr um jornal de Brasília? Matéria de Nahima Maciel com um pingue pongue esclarecedor do escritor e tradutor Rodrigo Lacerda. Entendi estar recebendo uma segunda chance para ler, iluminar e dividir. Vingança? Perdão? Dois momentos, não mais confiáveis:
Gostei muito (um fantasma envolvido pela noite…):
“Perdoe-me, Edmundo”, exclamou Mercedes, caindo de joelhos. “Perdoe a uma pobre mulher que ainda o ama! Vingue-se, Edmundo! Mas vingue-se dos culpados! Vingue-se de Fernando. Vingue-se de mim. Mas não se vingue de meu filho! Seria para mim a maior das desgraças: ver o homem a quem amo matar o meu próprio filho!” Monte Cristo sentiu que fôra vencido. “Que espera de mim? Que seu filho não morra? Pois ele viverá. Quanto ao pobre Edmundo, não restará à mulher que o ama muito tempo para amá-lo. Edmundo é um fantasma que será envolvido pela noite.
Não entendi lhufas e, a verdade, haja paciência:
“Senhores”, disse ele, num tom de voz estranhamento firme na boca de um criado, “o Sr. Noirtier de Villefort deseja falar ao Sr. Franz de Quesnel, Barão d’Epinay”. Villefort estremeceu. “Impossível! O Sr. dÉpinay não pode deixar o salão neste momento”. “Neste caso”, concluiu Barrois, “o Sr. Noirtier faz prevenir que virá ao salão”.