Depois de trocar o espinafre por couve e ajudar Peter Pan e Pedrinho a vencer o marinheiro Popeye, Emília surta e assume a redação de sua biografia, inventando (?) uma viagem a Hollywood para estrelar um filme ao lado de Flor das Alturas, o anjo da asa quebrada que eles trouxeram da viagem ao céu. Parei aqui, faltam umas poucas páginas e nem sei se os meninos vão gostar ou entender esse final biruta. Hollywood? De qualquer forma, Memórias da Emília é realmente ótimo. Mas confirma o complexo de inferioridade (ou mania de grandeza) do Monteiro Lobato, que torna a leitura às vezes cansativa. Eu estava gostando muito de Alice. A pedido do Rei da Inglaterra ela acompanha os meninos britânicos na visita ao anjo e, em seus primeiros momentos, não gosta do sítio. Achei ótimo e coerente com a personagem de Lewis Carroll. Por coincidência, as aventuras no país das maravilhas é o outro livro “em processo”. É o da Laura, enquanto o Memórias da Emília é o do João, e os dois são lidos alternadamente. Pois Alice é isso mesmo, uma menina desconfortável em terras distantes, se adaptando, mas não necessariamente gostando do que vê. Nada mais razoável que expressasse seu desapontamento com o pomar do Pica Pau Amarelo. Pois não é que bastam uns poucos parágrafos para ela, de repente, perceber que o sítio é na verdade o lugar mais maravilhoso do mundo. Ah, que mania do autor, todo mundo tem que achar o sítio espetacular.
Alice carolizada:
“Alice estava torcendo o nariz a tudo e achando que aquele sítio não parecia digno de um anjinho. “Uma casa velha, estar árvores tortas por aqui, aquele leitão lá longe nos espiando, então isto lá é morada digna de um anjinho caído do céu?”
Alice lobatizada:
“Que coisa gostava”, murmurou Alice, “chupar laranja-lima ao lado de um anjinho do céu que conta as coisas de lá! Estou mudando de opinião, Emília. Estou achando que esse sítio de Dona Benta é ainda mais gostoso que o nosso Kensigton Gardens lá de Londres…”

Kensigton Gardens ficou realmente arrasado