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Arquivo da categoria ‘livros’

Meu escritor amargo preferido é o Caio Fernando Abreu. Li muito aos vinte e poucos, quando eu fazia o tipo a-vida-já-me-ensinou-o-que-tinha-para-ensinar. Ou a-vida-me-fez-durão-baby-mas-você-pode-tentar. Ou melhor ainda, a-vida-não-tem-mais-nada-a-oferecer-e-por-isso-me-visto-de-preto. Conheci essas construções compridas com hífen nos livros dele e sempre gostei de usá-las. Lá também estão as frases incompletas, os personagens sem nome e sem rumo, as situações [...]

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Nas muitas vezes em que chafurdei na mediocridade e me empazinei (feliz) na lama das sensações mais baratas com o lixo gentilmente disponibilizado pela televisão, publicidade, cinema, a literatura estava lá para me salvar. E ela está lá, esses dias, nas aventuras de Arturo Belano e Ulisses Lima. Uma dupla incrível, exigindo leitura, atenção e [...]

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Aos 16, vencia as aulas chatas escrevendo histórias divertidas com os amigos. Os personagens eram nossos colegas e professores, metidos em terríveis tramas de terror ou ficção. Eventualmente salvávamos a mocinha, mas o normal era todo mundo morrer no final.
Não fui o único adolescente a matar o tempo escrevendo, mas poucos ficaram milionários com isso, [...]

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Valdirene voltou a  entrar na minha vida literária, desta vez desaparecendo com um livro emprestado. Na bagunçada manhã de segunda ele estava aqui. Ao entardecer, a casa arrumada, Noturno Chileno iniciava seu longo período no exílio. Por dias fui assaltado por angústia, culpa e suspeita. Valdirene, que gostava de românticos brasileiros e policiais [...]

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Quase todo dia, tipo umas duas ou três da tarde, eu me lembro de Blade Runner. Estou lá no meu quadrado e do meu lado começa a tocar uma das músicas da trilha da sonora.

É o prefixo de um momento “eu vivi”, na Itatiaia, nossa estação de rádio de referência, aquela que a estagiária é [...]

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Minha vó louca dormia no quarto ao lado. O Parkinson fritou o cérebro dela e, além da demência, tinha alucinações terríveis, não sei se devido a doença ou aos remédios. Ela me chamava de Ricardo, nome do seu filho caçula, e ralhava comigo, muito brava, sabe-se lá o motivo. Eu achava carinhoso.
A casa acabou se [...]

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Viajo das cidades dos leais amigos e das mães de corpos mais belos às cidades malditas, habitadas por mudas criaturas verdes, de lábios moles caídos e curiosas orelhas. É o trajeto dos vizinhos de estante Walt Whitman e H.P. Lovecraft.
O primeiro é um dos poetas mais bacanas. O segundo eu reli esta semana depois de conhecer [...]

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Tenho uma prateleira com livros nunca lidos e dispostos estrategicamente para infundir nos visitantes a admiração pelo meu sofisticado intelecto. É verdade e sinto vergonha, mas não muita. Sempre gostei da coleção Os Pensadores. Na faculdade era essencial, com os textos originais dos nossos filósofos, economistas e sociólogos de referência. Tinha esse sonho de um [...]

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Nietzsche estudava filosofia mas fazia umas disciplinas na comunicação. Uma ótima pessoa, o Fred. Era também ator. Interpretou o pensador alemão em uma peça, aproveitou a coincidência do primeiro nome e incorporou o personagem por vários semestres. Acalentou um bigode espetacular, que valorizou a freira despudorada de uma de suas montagens posteriores. Estou lendo Quando [...]

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Otário

Paguei R$ 25 para encadernar meu Jangada de Pedra, na Leitura um novo sai por R$ 21,50. Otário. Mas é isso mesmo, não queria um novo, queria minha sebenta e desfolhada edição ressuscitada em capa dura, com a garantia de outras décadas de uso. E mais, só nessa rara edição tem um asterisco no alto da página 258 e, [...]

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